Como nasceu o SPED Pra Quem Faz!

Marcus Amorim
Autor do site SPED Pra Quem Faz!

Olá! Eu me chamo Marcus Amorim, a minha vida com o SPED Fiscal começou em 2012, mas antes disso preciso te contar como eu cheguei a área tributária.

Em 2009 eu trabalhava como almoxarife numa empresa fabricante de painéis elétricos e era também o responsável pela emissão das notas fiscais deste estabelecimento, obviamente eu não entendia nada sobre as regras de emissão dos documentos fiscais e vivia ligando para o meu pai para perguntar sobre as regras de tributação do ICMS (o meu pai ministra cursos na área tributária desde 2003).

Não demorou muito e eu percebi que precisava estudar e conhecer mais a fundo a legislação do ICMS. Então, comecei a fazer todos os cursos da área tributária que consegui. Inicialmente eu não conseguia entender nada do que estavam falando, era um tal de “valor contábil outras” pra lá, “valor contábil isentas” pra cá e eu fiquei verdadeiramente perdido, mas continuei os meus estudos.

Então tomei uma decisão. No ano de 2010 resolvi sair dessa empresa e pedir um estágio no escritório de contabilidade em que o meu pai era sócio, tive que conversar com os demais sócios para finalmente conseguir um espaço para aplicar as coisas que eu vinha aprendendo ao longo de um ano.


Logo que comecei a trabalhar neste novo ambiente as coisas começaram a fazer sentido para mim e passei a entender os conceitos que tinha estudado nos cursos em que participei. Nesta época eu fazia faculdade de engenharia.

Comecei a evoluir muito rápido no setor fiscal e a gostar muito do que fazia, mas logo algo começou a me incomodar, eu era sempre o “filho do chefe” e isso me irritava bastante porque eu queria que as pessoas me avaliassem pelo meu trabalho e não pela minha relação de parentesco.

Então tive que tomar outra decisão em minha vida. Em 2011, resolvi sair do escritório em que meu pai era sócio e ir trabalhar em outro lugar onde eu seria avaliado pelos meus próprios atos.

Em 2012 eu me deparei pela primeira vez com o SPED Fiscal, era algo totalmente novo e praticamente não existia informação sobre o assunto na internet, então, eu tive que tomar não uma, mas, 2 decisões importantes na minha vida. tranquei a faculdade de engenharia e comecei a estudar tudo que encontrei sobre o SPED Fiscal.

Nesta época, os únicos cursos que existiam aqui na Bahia eram ministrados pelos auditores fiscais da própria SEFAZ-BA e eram extremamente técnicos, eram basicamente assim, “abre pipe, fecha pipe” (um pipe é este símbolo aqui “|”), ou seja, não ajudavam muito para as pessoas que precisavam escriturar no dia a dia. Era um treinamento muito mais voltado para quem estava desenvolvendo sistemas com a finalidade de gerar a EFD ICMS/IPI.

Eu não aprendi nada muito útil para o meu dia a dia, mas descobri que era possível importar a EFD numa planilha Excel e manipulá-lo de diversas formas, e eu adorava mexer em planilhas Excel (e continuo adorando), naquele momento um mundo novo se abriu para mim. Comecei a estudar o layout do SPED Fiscal e a tentar entender como funcionavam os registros.

Continuei fazendo os cursos que começaram a ser ministrados por contadores e passaram a ser ministrados por profissionais da área contábil. Neste ponto começamos a entender sobre a forma de entrega, quais livros passaram a ser digitais, prazo de entrega, multas por não entrega da declaração, prazo de guarda das informações e uma infinidade de coisas, porém, a impressão que eu tinha e a de algumas pessoas com as quais eu tive a oportunidade conversar, era de que essas pessoas nunca tinham escriturado um arquivo do SPED Fiscal. A maioria de nós esperava por informações práticas de como escriturar e do que fazer quando determinados erros ocorressem.

Neste período eu já trabalhava inclusive com consultoria em SPED Fiscal, ajudando empresas a gerar o arquivo de forma correta e escritórios de contabilidade a analisar e auditar as informações geradas pelos seus clientes.

Logo começaram a me perguntar porque eu não ministrava cursos sobre o SPED Fiscal, e eu sempre relutei em ensinar o que eu havia aprendido por uma questão muito simples, eu não sou contador, e ficava imaginando como responderia aos meus alunos quando me perguntassem se eu tinha feito alguma especialização em SPED Fiscal. Depois de pensar muito sobre esse assunto, resolvi que iria passar a minha experiência prática para as pessoas.

Em 2016, já pensando em como estruturar um curso sobre o SPED Fiscal eu resolvi fazer mais um treinamento para entender como estruturar o meu próprio curso e foi lá que finalmente caiu a ficha, o que eu procurava era exatamente o que todos queriam, um curso que ensinasse na prática como lidar com os problemas da EFD ICMS/IPI no dia a dia, mas a questão da minha autoridade pra ensinar persistia, foi quando eu entendi que eu não precisava ser contador para falar sobre o SPED Fiscal, eu só precisava mostrar as pessoas o que eu tinha aprendido desde 2012 pesquisando e estudando, precisava apenas mostrar como resolver os erros da declaração.

Então a minha preocupação se resolveu, eu simplesmente pensei, se as pessoas me perguntarem porque eu ensino SPED Fiscal sem ser contador eu posso devolver a pergunta dizendo: “Se você é contador porque não sabe como funciona o SPED Fiscal?”, essa maneira de pensar abriu a minha mente para o fato de que o que as pessoas realmente querem é aprender como resolver os seus problemas de forma prática e direta e isso é o que eu venho fazendo desde 2012, dia após dia.

Então comecei a estudar todas as legislações relacionadas ao SPED Fiscal até me sentir confiante em compartilhar tudo o que eu aprendi durante todo esse tempo. E assim nasceu o SPED Pra Quem Faz!